Paulo Gonçalves ganhador na Bolívia

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O Dakar está em maré de vitórias portuguesas. Desta vez foi Paulo Gonçalves a impor as cores nacionais na chegada à Bolívia, relançando a sua candidatura ao triunfo na prova, enquanto Hélder Rodrigues mantém o 6.º posto e Ruben Faria é agora 8.º na classificação geral.
Paulo Gonçalves dá-se bem com os ares de Iquique. Em 2011, ali conquistou a única vitória em etapas que já tinha no “Dakar”, e hoje arrancou dessa localidade chilena para consumar novo triunfo já em solo boliviano. Isto, porque os pilotos de motos e quad cumpriram o percurso trilhado na véspera pelos carros – 717 Km desde Iquique até Uyuni, na Bolívia. Pelo meio, o sector selectivo do dia tinha 321 Km.
A meio do troço cronometrado Paulo Gonçalves estava a 2.17 de Marc Coma, mas na segunda metade atacou forte para chegar à vitória com 14 segundos de vantagem sobre o espanhol. Além disso, ganhou 6.13 a Joan Barreda – o qual partiu o guiador por queda ao Km 200 da “especial”. Assim, o português está agora a 10.59s do comandante, e a 4.31 de Coma – com este a reduzir quase para a metade o atraso face a Barreda. Ou seja, a luta pelo triunfo está mais acesa, envolvendo também Gonçalves.
“Começou a chover a meio da etapa, o piso ficou muito escorregadio e perigoso,” explicou Gonçalves. “A uns 50 Km do fim comecei a sentir dores de cabeça, mas cheguei sem problemas para a moto – só vai dar trabalho a limpar, porque está cheia de lama.” Quanto à situação da corrida, Gonçalves admite que “se as coisas continuarem assim posso terminar com um bom resultado – e tudo está em aberto.”
Por outro lado, esta foi a primeira parte de uma “etapa maratona”, e isso significa que hoje no acampamento só os pilotos podem fazer intervenções nas suas máquinas. Veremos até que ponto o desgaste e as mazelas do dia poderão ter reflexos na longa jornada de amanhã.
Vitorioso na etapa anterior, hoje Hélder Rodrigues andou em bom ritmo, fechando o dia no 8.º posto, a 4.05 do vencedor, e mantém o 6.º lugar na “geral”. Já Ruben Faria baixou um degrau, para 8.º, ao ser ultrapassado por Stefan Svitko, após ter sido 14.º na tirada, cedendo 6.41 para o mais rápido. Apesar disso, está apenas a um quarto de hora do 4.º classificado, o chileno Pablo Quintanilla.
“Voltou a não ser um dia fácil,” reconheceu Faria. “Na fase final, com muita chuva e lama segurei um pouco o andamento para não arriscar uma queda. Amanhã regressamos a Iquique e com a chuva que continua a cair não vai ser fácil – felizmente a minha moto está impecável.”
Sobre Mário Patrão, interessa recuar à etapa anterior, quando o motor da sua moto cedeu a 30 Km do fim da “especial”. O piloto foi rebocado por um quad, mas além de duas horas e meia perdidas no terreno, ainda averbou mais duas horas de penalização, descendo para 57.º na “geral”.
Hoje, o piloto de Seia arrancou na cauda do pelotão – entre 115 pilotos, só cinco partiram depois dele. Ao longo do dia teve de ultrapassar dezenas de adversários, a meio estava só a um quarto de hora do mais rápido, mas acabaria a 1h37m. Agora, surge a quase nove horas do comandante da prova, para já em 50.º – quando tinham chegado 75 concorrentes.
Amanhã, entre Uyuni e Iquique, haverá um sector selectivo de 784 Km, mas que inclui uma neutralização de 274 Km. Ainda assim, contra o cronómetro serão 510 Km a enfrentar.
Classificação geral: 1.º Joan Barreda (Honda) 25h40m48s; 2.º Marc Coma (KTM) a 6.28; 3.º Paulo Gonçalves (Honda) a 10.59; 4.º Pablo Quintanilla (KTM) a 25.16; 5.º Toby Price (KTM) a 29.20; 6.º Hélder Rodrigues (Honda) a 33.56; 7.º Stefan Svitko (KTM) a 40.23; 8.º Ruben Faria (KTM) a 40.55; 9. Alain Duclos (Sherco) a 50.31; 10.º David Casteu (KTM) a 1h16.52; 11.º Alessandro Botturi (Yamaha) a 1h19,18; 12.º Riaan Van Niekerk (KTM) a 1h20.06; … 50.º Mário Patrão (Suzuki) a 8h59.00; etc.