3º Transnordeste – Rota dos Santuários: Pelo Reino Maravilhoso, rolar, rolar

Em boa hora – e muito acicatado pela FMP – o Clube Mototurístico de Macedo de Cavaleiros colocou de novo na estrada o seu “Transnordeste”, passeio muito rolante pelo fantástico distrito de Bragança no fim de semana de 5 e 6 de Agosto e com adesão de cerca de 100 participantes em mais de 60 motos.

300

Após o sucesso das primeiras edições do Transnordeste, dedicadas aos pelourinhos e castelos deste belíssimo canto nordeste de Portugal Continental, a FMP viu com agrado o Clube Mototurístico de Macedo de Cavaleiros (CMMC) regressar às lides organizativas e dar a conhecer a parte leste da região de Miguel Torga.

Só que o tempo passa e nem nos apercebemos disso. Esses dois primeiros Transnordeste decorreram em 2006 e 2007 e os directores do clube organizador – que até já mudou de nome – já não são os mesmos. E que, apesar de já terem recebido bastante bem o Portugal de Lés-a-Lés em Oásis e controlos aquando de passagens pelo incrível concelho de Macedo de Cavaleiros, não tem participado neste evento nem nos moto-ralis turísticos do Troféu da FMP pelo que não se aperceberam de como a fasquia organizativa tem subido no nosso país, um exemplo nesta área a nível mundial.

Há 17 e 16 anos viajamos de pelourinho em pelourinho e de castelo em castelo orientados por óptimos road-books turísticos num conceito inspiradíssimo no Lés-a-Lés. E este ano estava previsto assim rolarmos de santuário em santuário.

Mas, a poucos dias do evento, o road-book, que até já estava quase pronto e com alguma informação, foi para o cesto dos papéis e o CMMC limitou-se a transmitir percursos digitais aos participantes, surpresos pois contavam com este guia fundamental num evento turístico e programado no calendário da FMP entre o Lés-a-Lés e os moto-ralis turísticos.

Os participantes (alguns vindos de muito longe), após o choque inicial, adaptaram-se, reorganizaram-se em grupetos e partiram da cidade de Macedo de Cavaleiros para um percurso ambicioso, no sábado. Nada mais, nada menos que 300 km de sobe e desce numa rota circular em sentido contrário ao ponteiro dos relógios, pelos concelhos de Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro, Miranda do Douro e Vimioso.

Pelo meio escalamos a vários santuários de onde, regra geral, se avistavam serras longínquas já que o tempo, quente, oferecia excelente visibilidade.

Quais eram as serras? Não havia road-book que informasse, bem como em relação aos vales, rios, vilas, aldeias, fauna, flora, património cultural e edificado, etc, bem como dos próprios santuários, de que pouco mais sabíamos além do nome, nas placas.

Não havia elementos da organização nos sítios chave do percurso (as tais ermidas no cimo das colinas), nem pelo percurso. Quem quisesse atalhava ou optava por outras estradas. Por várias vezes os motociclistas dividiam-se de acordo com os interesses pessoais. Não havia horários. Apenas orientativos para as refeições.

No domingo, mais uma etapa puxada para uma só manhã. 150 km noutra rota direcionada a norte, aos concelhos de Bragança e Vinhais e suas excelentes florestas de carvalhos e castanheiros. Novamente sem a tal informação preciosíssima que nos enriquece culturalmente.

Mas desengane-se quem achar que o fim de semana foi perdido. Não. De forma alguma. Os elementos do CMMC são de uma simpatia e hospitalidade generosa, honrando os pergaminhos transmontanos.

E o distrito de Bragança é, na opinião deste Vosso escriba, o que tem a paisagem melhor conservada de Portugal Continental! Nestes 450 km não avistamos um eucalipto! Ainda menos acácias e outras invasoras!

As estradas estão bem marcadas, com asfaltos de boa qualidade e sem retas. Saímos da região com os pneus bem redondinhos. E de vistas consoladinhas com os longos panoramas. E de barriga cheia, pois claro! Ainda estamos a saborear o javali do jantar de sábado… E a posta do almoço de domingo. E a simpatia do Moto Clube dos Templários que serviram o almoço volante de sábado na sua histórica vila de Mogadouro.

Mais os quatro lanches servidos em Vila Flor, na Sra. do Naso, em Zoio e no inspirador espaço do PINTA, em Vimioso.

O Transnordeste tem pernas e rodas para andar! O clube organizador até já está a idealizar os próximos temas e tem a perfeita noção de que o road-book turístico é essencial. Passar a um Rio Sabor, a umas Arribas do Douro ou pelo centro histórico de Miranda do Douro sem uma única palavra é confrangedor.

Comecem já a trabalhar no 4ª Transnordeste, prometam-nos um evento mototurístico a 100%, e aí estaremos de novo!

Muito obrigado ao Clube Mototurístico de Macedo de Cavaleiros e aos municípios de Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Mogadouro, Miranda do Douro, Vimioso e Bragança.

Álbum de fotos: https://we.tl/t-2LPP777ACK

Artigo anteriorPol Tarrés à partida do 8.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road
Próximo artigoPortugal presente no Trial das Nações