“Verde Minho, Verde Basto, Verde Tâmega”

Ninguém foi na cheia! Entre água - muita água - o calor humano de 250 mototuristas em 140 motos sobrepôs-se às tempestades que assolaram a região de Basto no fim de semana de 4 e 5 de novembro último e a oitava e derradeira jornada do 26º Troféu de Moto-ralis Turísticos BMW/Dunlop foi uma encharcada mas feliz festa ou o organizador não se chamasse Conquistadores de Guimarães!

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Após dois anos de percursos demasiado metropolitanos em redor da Cidade Berço, os Conquistadores voltaram-nos a levar para o campo e para o monte, o que de melhor tem o Minho nesta altura outonal. E então se formos para a rija região de Basto, numa transição com Trás-os-Montes, minhas senhoras e senhores, o sucesso está garantido porque com as constantes paragens para reconfortar estômagos não há astral que se abata entre tanta beleza natural, mesmo que a intempérie desafie os mais intrépidos.

É que rolamos sábado e domingo entre rios, lagos, deltas e estuários bem longe do litoral!

Em 26 anos destas lides já terão decorrido quase 200 moto-ralis turísticos. E este fica no pódio dos que mais obrigou a barbatanas e flutuadores!

Após um início em S. Martinho de Sande e rápida passagem por Braga e Póvoa de Lanhoso, a partir do momento que deixamos a N103 para rumar a Serzedelo a paisagem tornou-se surpreendente e assombrosa!

Os ribeiritos ombreavam com o Rio Ave! O Ave parecia o Douro, as linhas de água espraiavam-se pelos campos e milheirais, encurralavam gados, alargavam-se pelas estradas e testavam a resistência das árvores, muros e pontes! Entre as frinchas das viseiras íamos vendo uma paisagem quase subaquática de cascatas e torrentes à direita e esquerda, cheias de força ou ainda com mais força! A água despenhava-se onde uns meses antes nem existia, as fontes não jorravam, cuspiam a metros de distância! Fotos? Praticamente não há pois esquecemo-nos da GoPro de filmar o fundo do mar…

Mas tal visão tinha um impacto cénico que até enchia a alma, desde que o impermeável fosse novo e resistente.

Foi assim que, de dorsais coloridos como num mini Lés-a-Lés, a enorme comitiva que rolava a uma cadência de 3 motos por minuto, subiu aos concelhos de Vieira do Minho e Cabeceiras, terminando finalmente em Mondim de Basto, cumprindo um programa muito bem sacado com visita à original capela da Sra. da Lapa, construída sob enorme penedo, ao Museu do Ouro em Travassos e à Quinta de Santa Eulália, produtora generosa de muitas marcas de vinho.

Sempre testando a perícia dos motociclistas menos habituados, o road-book levou-nos pelo interior bem típico das aldeias, altaneiras de casas e solares de pedra bem aparelhada, por descidas e subidas empedradas a pontes seculares e por carreiros pouco habituados a receber tantas motos, ainda para mais numa gincana de ramos partidos e montes de folhas de carvalhos, castanheiros e áceres.

Não havia ninguém à janela para nos ver passar, recolhidas que estavam as famílias diante do borralho. Mas nas aldeias do Alvão, notava-se o rosto normal das gentes. Homens de outra têmpera para quem uns pingos de chuva não impede o amanho dos campos ou o ir buscar as vacas maronesas aos lameiros.

À boa moda antiga destes eventos, os Conquistadores levaram-nos à Sra da Graça pelo caminho das traseiras, lindíssimo entre carvalhais onde os laranjas e vermelhos do Outono deixam memórias no coração. O piso estava um pouco estragado mas há sempre a opção para quem está ligado ao pavimento pelo cordão umbilical.

E no cimo dos quase 1000 metros do Monte Farinha não estava fácil de estacionar pois as rajadas queriam transformar as nossas motos em parapentes!

De registar a constante alegria da caravana. Pudera, os Conquistadores – sempre vestidos com bonitos trajes tradicionais – encheram-nos de petiscos e mata-bichos. Ao jantar, com as senhoras de vermelho e os cavalheiros de preto, a festa continuou ao ritmo do regressado reco-reco do Zé Valença. E no domingo prolongou-se o desporto aquático pelo vale do Olo – que parecia o Tâmega – e se atirava desesperado das Fisgas do Ermelo! A aldeia que dá o nome à cascata mantinha-se firme porque os telhados de lousa não deixam entrar pinga e quando se está quente, tudo está bem.

És a nossa fé, Albufeira Allez!

E à sobremesa de um superlotado almoço final, vitoriaram-se os mais nadadores desta húmida passeata. Vítor Olivença e Ana Carina, do MC Albufeira, venceram o seu primeiro MR do ano. João Pereira ficou com o segundo posto e Jesus Carvalho, também do MC Albufeira, completou o pódio.

Após o sorteio dos Vouchers BMW entrou então a FMP em cena agradecendo a enorme participação de todos em 2023 e aos oito motoclubes organizadores.

Com um sprint em cima da linha, Vítor Olivença superou Paula e Paulo Moita, casal do Góis MC que liderava o Troféu desde a primeira jornada. Com 113 pontos tornou-se penta vencedor deste troféu tão turístico! Parabéns!

O entusiasta Jesus Carvalho levou para o Algarve o terceiro posto 2023, ele que é um grande embaixador desta forma de dar a conhecer o país, nem que seja com guelras.

E os mais participativos? A FMP continua a dar muito valor a estes prémios e deixou-os para o fim.

O MC Albufeira esteve espectacular – principalmente tendo em conta o quão longe estão dos restantes eventos – com 47 participações. Mas os relaxados e dançantes elementos do Vespa Clube de Lisboa beberam o espumante da taça graças a 48 inscrições ao longo do ano.

E foram 6 equipas a bater o pé em todos os moto-ralis deste ano: A Carla Machado, a Paula e Paulo Moita, o Vítor Olivença e Ana, o Tiago Arsénio e o Paulo Anjos. Mas quem haveria de ser chamado de novo ao pedestal foi um emocionado Jesus Carvalho que cumpriu à risca a vontade da esposa Mónica!

Foi a ovação mais sentida do moto-rali e talvez até de todo o troféu, que terminou de alma transbordante e aos abraços!

Álbum com 200 fotos desfocadas e a pingar: https://photos.app.goo.gl/9Njm5iqNnUUGEhAe8

O nosso especial agradecimento à Fernanda Mendes

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