Dakar em dia de Paulo Gonçalves

O Dakar está cada vez mais perto do seu final, faltando apenas cumprir duas etapas para se saber quem será o vencedor em 2022.

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Hoje foi dia de Paulo Gonçalves. Dois anos depois do trágico momento que resultou na morte do piloto de Esposende os pilotos portugueses em prova – e em especial Joaquim Rodrigues – levaram no seu pensamento o rival e acima de tudo o amigo e inspirador que tantas vezes os ‘guiou’ e ajudou em momentos que todos recordam com saudade.

Na pista o dia no topo de classificação foi igualmente para um piloto muito especial e que viver de forma muito intensa o desaparecimento de Paulo Gonçalves, o australiano Toby Price, que escolheu o momento certo para vencer uma especial que era sem dúvida muito especial. Entre os lusos o melhor do dia foi Rui Gonçalves que fechou os 374 quilómetros cronometrados da etapa que ligou Wadi Ad-Dawasir a Bisha com uma fantástica nona posição que lhe vale ser agora o 24º na classificação geral.

António Maio foi o 18º na tirada e chegou a Bisha a espreitar um lugar entre os 20 primeiros pois subiu três lugares e ocupa agora a 22ª posição, sendo que Joaquim Rodrigues continua a ser o melhor português em prova depois de um dia complicado onde foi o 31º. O piloto da Hero é agora o 15º da classificação geral a dois dias do final desta 44ª edição do Dakar.

Mário Patrão é o 44º na classificação geral, Alexandre Azinhais o 69º, Arcélio Couto o 78º, Bianchi Prata está na 96ª posição e Paulo Oliveira fecha o lote dos 100 melhores precisamente na 100ª posição.

A penúltima etapa do Dakar 2022 – a realizar amanhã – irá efectuar um “loop” à volta da localidade de Bisha num total de 500 quilómetros, 345 dos quais discutidos ao cronómetro. Será uma etapa bastante técnica e que poderá provocar mudanças na tabela classificativa da prova…sendo para muitos a última oportunidade de ganhar ou perder o Dakar.

Joaquim Rodrigues

‘À dois anos atrás vivi o momento mais difícil da minha vida. Não esperei que isso me afectasse muito hoje, mas quando estava na especial todas as memória dolorosas começaram a surgir. Foi complicado concentrar-me na corrida – foi mesmo um dia complicado, mas estou feliz por ter conseguido terminar a especial. Faltam ainda dois dias e o objectivo continua a ser terminar todos os dias.’

Rui Gonçalves

‘A etapa era muito rápida e, inicialmente, ia com um bom ritmo mas, muito perto do km 200, encontrei um ‘waypoint’ que não abria e perdi alguns minutos a tentar validar esse mesmo WP. Depois da neutralização consegui atacar e andar rápido até ao final da etapa e, assim, recuperar algum do tempo perdido subindo até ao 9º lugar.
O piso variou muito ao longo da etapa, desde zonas rápidas, rios secos com pedra e areia, foi um dia positivo inserido de novo nos dez primeiros. Neste momento já estou concentrado e focado no penúltimo dia. Hoje foi um dia particularmente difícil para o Joaquim Rodrigues e para todos nós com os 2 anos que passaram desde a partida do nosso Paulo que tanta falta nos faz.’

Mário Patrão

‘Terminei a etapa! Confesso que em termos psicológicos foi a mais dura, pelas memórias. Há dois anos perdi nesta etapa um amigo e nos primeiros quilómetros da especial não conseguia concentrar-me. Tentei seguir com a força que nos deixou e cumpri a etapa até ao fim, mas com muito custo. Hoje as palavras faltam-me. Acredito que o Paulo esteja sempre connosco, foi e será sempre um exemplo’

Classificação após Etapa 10

15º Joaquim Rodrigues Jr. (Hero) a  – 1h15m02s

22º António Maio (Yamaha) a 2h16m14s

24º Rui Gonçalves (Sherco) a 2h28m44s

44º Mário Patrão (KTM) a 7h55m43s

69º Alexandre Azinhais (KTM) a 12h32m50s

78º Arcélio Couto (Honda) a 14h08m54s

96º Bianchi Prata (Honda) a 19h07m22s

100º Paulo Oliveira (Honda) a 20h01m35s