Primeira baixa no Dakar, novo pódio de Rodrigues

Joaquim Rodrigues conseguiu hoje o terceiro pódio para Portugal neste Dakar.

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Inesperado, irritante e sem solução…de repente um pequeno problema com a bomba de combustível na moto de Paulo Oliveira ditou a primeira baixa entre os portugueses que estão no Dakar. Apesar de todos os esforços por parte de Pedro Bianchi Prata o abandono foi inevitável para o luso-moçambicano e Paulo Oliveira regressou ‘a reboque’ ao acampamento no final de uma jornada onde também Rui Gonçalves teve problemas – novamente – com a sua moto.

Naquele que foi o penúltimo dia da prova a caravana enfrentou 345 quilómetros de uma especial desenhada ao redor de Bisha, onde começou e acabou um dia onde o ‘prato’ servido tinha areia, ‘fesh fesh’, dunas, terreno compacto e algumas pedras e no final foi mesmo com um novo líder que o Dakar fechou a contenda, mas ainda longe de estar decidido.

Joaquim Rodrigues esteve mais uma vez magistral e regressou a Bisha com um fantástico terceiro lugar na especial que lhe permitiu mesmo subir uma posição na classificação geral, sendo agora 14º, ‘encostado’ ao 13º e não muito longe de poder subir eventualmente mais uma ou duas posições no derradeiro dia de Dakar 2022.

Num dia complicado para Rui Gonçalves que levou mesmo a que a sua equipa trocasse o motor da sua moto para o derradeiro dia de competição, António Maio conseguiu superar as dificuldades que se repetiram ao longo do dia e sem excessos aproximou-se mesmo de uma entrada nos 20 primeiros, estando a pouco mais de cinco minutos de o conseguir. O campeão nacional arranca para o derradeiro dia na 21ª posição e Rui Gonçalves no 25º posto.

Mário Patrão é o 43º antes do último dia de competição depois de ter conseguido o terceiro pódio na classe, Alexandre Azinhais o 68º, Arcélio Couto o 80º e Pedro Bianchi Prata o 106º. Paulo Oliveira poderá terminar o rally no dia de amanhã mas ao não terminar a etapa de hoje terá que o fazer fora da classificação final, no que o regulamento denomina com Dakar Experience, juntando-se aos nomes de Danilo Petrucci ou Kevin Benavides que também abandonaram numa das etapas e regressaram depois graças a essa alínea do regulamento.

A derradeira etapa do Dakar 2022 irá ligar a localidade de Bisha a Jeddah, num total 676 quilómetros, 163 disputados ao cronómetro num dia onde não se esperam grandes dificuldades em termos de terreno e navegação.

Rui Gonçalves

‘Sabia que na etapa de hoje teria que estar super concentrado, pois a navegação iria ser difícil e, igualmente, um factor decisivo. Tudo estava a correr bem até ao quilómetro 80 onde tive um problema técnico que me obrigou a abrandar muito o ritmo. A partir dessa altura o objetivo passou a ser apenas conseguir levar a minha Sherco até ao ‘bivouac’. Senti que o tempo não passava, tendo sentido inúmeras dificuldades em levar a moto até ao final, mas felizmente consegui chegar. Já na assistência tomámos a decisão de trocar o motor para a última etapa do Dakar. Tenho que, novamente, agradecer à minha equipa, que tem dado o máximo para me proporcionar o máximo suporte a cada etapa.’

António Maio

‘A etapa de hoje foi a mais difícil de todas as disputadas até ao momento. Fizemos imensos quilómetros em dunas pequeninas e a grande dificuldade foi a areia muito mole. No início da especial consegui fazer uma boa navegação e estava muito motivado. No entanto, quando cheguei à zona das dunas saltei e a moto atascou. Como a areia estava mole, a moto ficou completamente enterrada e foi muito difícil sair dali. Perdi imenso tempo, mas consegui sair e voltei a entrar no ritmo. Mais à frente aconteceu outra vez a mesma coisa e aí desconcentrei-me e perdi o ritmo. Depois da zona de reabastecimento tentei manter um andamento mais forte para tentar recuperar, porém já tinha perdido muito tempo. Tentei fazer uma segunda metade mais limpa, contudo foi difícil de recuperar. Foi uma etapa verdadeiramente à Dakar porque foi mesmo muito dura.’

Mário Patrão

‘A etapa correu bastante bem. Hoje o troço teve cerca de 100 quilómetros exclusivos de dunas, o que levanta sempre alguma dificuldade acrescida. A preparação que fiz tem-se mostrado à altura e estou bastante feliz por isso. A etapa foi muito longa com um pouco de tudo, diversidade de dunas, algumas até mais macias, e bastante fesh fesh. Foi uma jornada bastante completa, mas exigente. Amanhã será a última etapa e estou motivado para terminar da melhor forma.’

Classificação após Etapa 11

14º Joaquim Rodrigues Jr. (Hero) a  – 1h11m25s

21º António Maio (Yamaha) a 2h39m48s

25º Rui Gonçalves (Sherco) a 3h11m30s

43º Mário Patrão (KTM) a 8h39m53s

68º Alexandre Azinhais (KTM) a 14h19m20s

80º Arcélio Couto (Honda) a 16h04m39s

106º Bianchi Prata (Honda) a 24h56m04s