EVT 2026: final inglório para a equipa nacional

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Um percalço mecânico mesmo ao ‘cair do pano’ ditou a descida de várias posições para a Seleção Nacional neste último dia do FIM Enduro Vintage Trophy.

Dois percalços, justamente nos dois dias que, teoricamente, menos contariam (o primeiro e o último), hipotecaram o resultado final da Seleção Nacional presente neste FIM Enduro Vintage Trophy, depois de terem galgado 11 posições durante os dois dias de verdadeiro Enduro.
O FIM Enduro Vintage Trophy que hoje terminou em Zschopau, na Alemanha, com a tradicional especial final de motocross, começou com a equipa lusa no 6º posto, depois de ter iniciado a prova em 17º lugar ao fim do primeiro dia, devido a uma penalização na especial de aceleração. Os dois dias seguintes, com 160 km por dia de verdadeiro Enduro ‘à moda antiga’, viram o trio composto por António Lopes, António Silva e Paulo Marques recuperar primeiro nove posições e depois mais dois lugares, até ao 6º posto que ocupava ontem. Faltaria apenas ‘carimbar’ uma grande participação na especial de hoje, com partidas em linha para as várias classes.

Mas a prova só acaba com a bandeira de xadrez e, depois de António Silva ter feito uma grande corrida, vencendo a manga da sua classe, com Paulo Marques a ter também mais uma excelente prestação, o azar tocou a António Lopes. O seletor de velocidades da sua KTM GS250 de 1975 saltou durante a especial e não foi possível recuperá-lo. António Lopes tentou prosseguir com a 4ª velocidade engrenada, mas as tentativas de superar uma subida pronunciada revelaram-se fatais para a embraiagem da veterana montada, que cedeu. Lopes empurrou a moto até final, terminando classificado mas com um atraso superior a uma hora, o que acabou por fazer a equipa descer seis posições, até ao 12º lugar final no troféu, entre as 17 seleções participantes. Os Estados Unidos venceram o Troféu, seguidos da Áustria e da Itália, com o norte-americano Fred Hoess a vencer uma vez mais a geral.

Finalmente, o português Álvaro Gaspar, que alinhou na categoria Individual com uma Kawasaki KX 125 da classe Open, terminou uma prova sólida e regular, bem colocado na classe Open e na categoria Individual (classificações finais a confirmar).

Para o próximo ano, encontro marcado na Eslováquia, antecedendo o FIM Enduro Vintage Trophy de 2028, que marcará o regresso da prova a Portugal, depois da edição de 2022 em Santiago do Cacém.

Aqui vos deixamos o balanço deste dia pelos pilotos da Seleção Nacional.

António Lopes
Estou um bocado em baixo, porque estraguei a moto e coloquei em causa a classificação da equipa. Foi um erro técnico, um erro mecânico, que podia ter eventualmente sido ultrapassado, mas pronto… Quero pedir desculpa por isso, mas as corridas são mesmo assim. Nos desportos motorizados a corrida só acaba com a bandeirada de xadrez, e aconteceu isto faltavam cerca de dois quilómetros para acabar a prova. Fizemos cerca de 400 quilómetros, e nos últimos dois a moto não andou mais.
Fora isto, julgo que o balanço, apesar de tudo, foi positivo. E, claro, para o ano, com a experiência que vamos tendo, há condições para melhorar. Vamos ver se virei ou não, mas isso são coisas para se pensar a seguir. E quero agradecer a todos os fãs, que nos apoiaram e incentivaram, e é também por eles e pelo seu incentivo que gostamos de levar o nome de Portugal e fazer o melhor possível.

António Silva
No meu caso foi um dia bastante positivo, consegui o que queria, que era ganhar a especial final, e foi muito agradável ver os meus companheiros de equipa e assistentes com as bandeiras de Portugal a apoiarem. Não arranquei muito bem, fiquei em segundo, depois passei para a frente e consegui ganhar alguma vantagem que geri até ao final da corrida. Tenho de agradecer aos meus dois preparadores, o Carlos Rebelo e o João Santos, que tiveram um trabalho incansável para pôr a moto ao ponto de conseguir ganhar uma especial final numa prova destas.

Paulo Marques
No que diz respeito à minha prova em particular, sei que podia ter feito um bocadinho melhor se a moto tivesse ajudado. Estava bem preparado e consegui andar ao ritmo de alguns dos melhores pilotos do mundo nesta categoria e levo ‘a medalha’ pelo esforço que mantive ao longo destes quatro dias. Os dois dias do meio foram bastante intensos e hoje foi a especial final. Não arranquei bem, a moto já não está no seu melhor e vai precisar de uma valente revisão. No cômputo geral fiz tempos geralmente entre o 6º e o 10º do troféu, o que me deixa satisfeito e com aspirações a poder fazer mais, se moto ajudar e com melhor preparação – também o facto de ter vindo cá e ter visto motos iguais, com boas preparações, leva-me a crer que, para o ano, a moto estará num melhor nível.
Queria deixar um grande abraço a todos os portugueses que nos seguiram, nas redes sociais e na imprensa. Viva Portugal, estaremos presentes na próxima edição com certeza, e a lutar por um lugar, quem sabe, até mesmo no pódio. Temos condições e pilotos para isso, vamos ver como vai correr para o ano.

 

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