Tarouca recebeu um grande dia de Motocross na primeira prova do Campeonato Nacional da modalidade, com grelhas cheias e muita ação. Pilotos espanhóis vencem em MX1, MX2 e MX65, com Guilherme Gomes a dominar em MX85.
Com uma bem recheada lista de inscritos de mais de cento e trinta pilotos, que proporcionaram grelhas cheias e muita animação em pista, o Complexo Motorizado Agostinho Cardoso ‘Makito’, em Tarouca, abriu da melhor maneira o Campeonato Nacional de Motocross 2026, numa prova organizada pelo Clube Motorizado de Tarouca.
Num repleto programa de domingo, o muito público presente teve direito a um menu cheio de corridas, nada menos do que oito, divididas pelas categorias de MX65, MX85, MX2/MX125 Jr. e MX1/MX Veteranos.
MX85
Coube ao aguerrido pelotão das MX85 dar início à ação, com duas dúzias de pilotos em pista e Guilherme Gomes (KTM) a justificar o seu estatuto de candidato ao título. ‘Gui’ fez uma partida pouco conseguida, com os espanhóis Thiago Rodríguez (Husqvarna), campeão de MX65 a estrear-se nesta classe, e Tomás Gallardo (GasGas) a assumirem o comando das operações. Mas Guilherme Gomes recuperou rapidamente e chegou à liderança no decorrer da terceira volta, para vencer com 15s de vantagem sobre Rodríguez e a 23s de Gallardo.

Na segunda manga, ‘Gui’ Gomes volta a partir menos bem e Thiago Rodríguez faz novamente o holeshot, mas desta feita o piloto português recupera rapidamente e assume o comando ainda na volta inaugural. Tomás Gallardo seguia em terceiro, mas veio a alcançar Rodríguez, que cai e desce para o terceiro lugar, posição em que viria a terminar. Na frente, Guilherme Gomes soma mais um triunfo tranquilo, a 24s de Gallardo.
MX65
Entre as MX65 (pilotos dos 8 aos 12 anos), com 23 pilotos na grelha, os pódios foram monopolizados pelos jovens pilotos espanhóis. Vitória à geral para Iker González (KTM), com um 2º posto na primeira corrida e vitória na segunda, somando os mesmos pontos de Enzo Outon (KTM), vitória e 2º lugar, enquanto Noel Carracedo, que chegou a liderar a manga inaugural, somaria dois terceiros lugares. Rodrigo Garcia (Yamaha), Campeão e atual líder do CNMX 50 que estreava aqui nas 65 cc, foi 4º na primeira manga, com Lucas Araújo a fechar o top 5. Na segunda manga foram Duarte Monteiro (Yamaha) e Edgar Salustiano (GasGas) a ocuparem as posições imediatamente após o dominador trio espanhol.

MX2/MX125 Júnior
Em MX2, com uma grelha de 37 pilotos, entre os quais 16 de MX125 Júnior, encontrávamos várias caras novas de jovens pilotos vindos das MX85, casos do bicampeão Duarte Pinto e de Leonardo Gaio, que se juntavam assim ao aguerrido pelotão de 125 cc 2T que integram a classe, frente aos homens das 250 (4T e 2T) de MX2, entre os quais figuram agora os dois primeiros de 125 Júnior em 2025, Gonçalo Cardoso e Vasco Salgado.

Mas, também aqui, foram os pilotos espanhóis a dar cartas. Depois de terem dominado os treinos, Alejo Peral (Beta), Valentino Vásquez (GasGas) e Gilen Albisua (GasGas) foram para a frente desde o início da primeira manga e terminaram no pódio por esta ordem. Tomás Santos (KTM) e Vasco Salgado (Yamaha) fecharam o top 5, sendo de notar que tanto o vencedor como o 5º colocado utilizaram motos de 250 cc a 2 tempos. Gonçalo Cardoso (KTM) foi sexto à frente do bicampeão em título, Sandro Lobo, agora com as cores da KTM na formação Gold Racing – Moto FM, que não conseguiu ir mais além após uma má partida. Nos 9º, 10º e 11º lugares tivemos os três primeiros de MX125 Jr., todos em Yamaha, com Duarte Pinto a vencer na sua estreia na classe, à frente de Leonardo Gaio e do seu irmão Bernardo Pinto.

Na segunda manga de MX2, Gonçalo Cardoso foi o mais lesto a partir, mas Gilen Albisua passou de imediato para a frente, seguido por Alejo Peral, enquanto Tomás Santos subia ao terceiro posto e um dos protagonistas da primeira manga, Valentino Vásquez, sofria uma queda forte que o afastou da corrida.

Gilen Albisua não largou o comando e venceu com 14s de vantagem sobre Peral, que assim triunfava na geral, e com Sandro Lobo a recuperar de nova partida pouco conseguida até ao 3º posto. Gonçalo Cardoso e Alex Almeida fecharam o lote dos cinco primeiros, seguidos do melhor das 125 Jr., desta vez Bernardo Pinto, acompanhado ao pódio da classe nesta manga por Duarte Pinto (que venceria a geral 125 Jr.) e Leonardo Gaio.
MX1/MX Veteranos
Com 46 pilotos inscritos, a classe de MX1/MX Veteranos teve uma lista de presenças notável, com vários nomes de topo, muitos pilotos nos Veteranos e a estreia das motos elétricas numa classe sénior do CNMX, com quatro inscritos, todos aos comandos de motos Stark Varg, entre os quais o campeoníssimo de TT e Enduro Mário Patrão, a fazer uma ‘perninha’ no Motocross aos 49 anos, com a moto com que alinha habitualmente no Enduro.

Com uma grelha em que são admitidos 40 pilotos, foi necessário qualificar para a presença em corrida, embora o 41º colocado e primeiro reserva tenha acabado por correr. De facto, um dos candidatos aos lugares da frente, Paulo Alberto, sofreu de uma gastroenterite que o afetou bastante durante os treinos e o obrigou a ficar de fora para as corridas.
Entre os candidatos ao pódio contavam-se dois pilotos espanhóis que já conquistaram títulos em Portugal, Gerard Congost (SX2 em 2024) e Eric Tomas (MX2 em 2023), para além do promissor ucraniano Semen Nerush e, claro, dos pilotos portugueses, como o Campeão Luís Outeiro, o regressado e antigo Campeão Sandro Peixe, após três anos afastado da modalidade, e o jovem Martim Palma, que estreava no CNMX a nova Ducati Desmo450 MX. De volta também Pedro Rino, depois da lesão que o afastou na época passada, e o regresso pontual ao MX de Renato Silva, nos últimos anos dedicado ao Enduro.

Eric Tomas (Yamaha) faz o holeshot e é rapidamente superado pelo seu compatriota Gerard Congost (GasGas), seguido por Outeiro (Yamaha), Nerush (Honda) e Palma (Ducati). Mas o ucraniano sofre uma queda forte logo na primeira volta, que obriga a cuidados médicos e o deixará de fora para a segunda manga, tal como sucederia também a cinco voltas do fim ao piloto espanhol Lucas Bodega.
A meio da corrida Gerard Congost instalou-se solidamente na liderança, seguido por Outeiro, que cai ao passar um piloto atrasado, é superado por Eric Tomas mas recupera a posição, terminando em 2º lugar a 20s de Congost e com Tomas colado a si a 0,4s.
Martim Palma foi 4º colocado, seguido de Sandro Peixe (KTM) e Ruben Luís (KTM). O melhor entre as Elétricas foi Daniel Pinto no 5º posto, à frente do primeiro Veterano, outro nome de regresso ao MX, Paulo Felícia (TM). Pedro Rino (KTM) e Renato Silva (TM) fecharam o top 10.

Na segunda manga, novo holeshot para Eric Tomas, seguido por Luís Outeiro que, no entanto e ainda nessa primeira volta, viria a colocar mal o pé na abordagem a uma curva, lesionando-se. Mesmo assim, retomaria a pista pouco depois para terminar em 20º lugar e somar ainda 1 ponto nesta manga. Gerard Congost passa para o 2º posto seguido por Martim Palma.

Eric Tomas continuou a aumentar o fosso para o seu compatriota, que sofreria uma queda na fase final da corrida, vencendo com margem muito confortável face a Congost. Martim Palma levou a Ducati ao pódio nesta manga e na classificação geral, com um 3º posto no seu regresso às MX1 e na estreia de uma moto totalmente nova. Gerard Congost ganhou a geral à frente de Eric Tomas, embora ambos não tenham ainda nos seus planos fazer o CNMX na íntegra. Sandro Peixe foi 4º nesta segunda corrida à frente da elétrica Stark Varg de Daniel Pinto, as mesmas classificações que obtiveram na geral, enquanto Paulo Felícia voltava a vencer entre os Veteranos.

O Campeonato Nacional de Motocross estará de regresso com a sua segunda jornada já no próximo fim de semana e com uma das suas maiores clássicas, a tradicional prova de domingo de Páscoa em Casais de São Quintino.
Fotos: Pedro Antunes Photography




















