O Sol que cria o bom vinho da Bairrada saudou os resistentes do 2º Portugal de Lés-a-Lés Classic, que terminou hoje em Sangalhos,
Foi um ‘dia de brincadeiras’, o terceiro e último do 2º Portugal de Lés-a-Lés Classic, que levou centena e meia de motociclistas do Caramulo a Sangalhos, na Anadia, com a chuva a tentar apanhar os participantes enquanto o Sol ia furando as nuvens para indicar o melhor caminho. Neste ‘jogo do apanha’ conseguiram quase todos fugir às grandes bátegas de água que, a espaços, caíam do céu plúmbeo, enquanto outros, mais azarados, iam desfrutando como podiam de um percurso trabalhoso, mas bonito e variado, e que começou de forma bem desportiva.
A saída, mesmo em frente ao Museu do Caramulo, deu-se pela famosa rampa que, todos os anos, atrai centenas de veículos históricos, de competição e não só, para um festival único no País. Asfalto lisinho numa estrada bem marcada que motivou algumas aceleradelas madrugadoras, mas apenas para os mais afoitos já que, pouco à frente, estava a saída para caminhos mais revirados. Sim, que isto não é uma corrida!

Se bem que, olhando para a lista de presenças, da rara Yamaha SDR200 à popular Suzuki GSX-R750 R, passando pela muito amada Yamaha RD350, pela esplêndida Suzuki RGV250 ou pela raríssima Yamaha RZV500 R, facilmente poderíamos compor uma bem recheada grelha de partida. Que também teve o contributo de Celso Mendes, alinhando para a derradeira etapa aos comandos de uma Honda CBR600F de 1994. Isto porque, com o evento da Federação de Motociclismo de Portugal a decorrer mais perto de casa, foi todos os dias a Santa Maria da Feira para trocar… de moto.
“No dia das Verificações, em Lamego, foi uma Honda VF1000 R de 1985, que foi substituída por uma Yamaha YZF 750 de 1994 para a primeira etapa e depois pela pequena, mas aguerrida, Honda NSR 125 de 1992”. Comentário divertido enquanto garantia que “a escolha não foi fácil até porque há mais 30 motos na garagem”, muitas delas cumprindo a exigência regulamentar de terem mais de 30 anos. “Em 2025 a opção foi ainda mais complicada porque apenas foram utilizadas duas máquinas, aproveitando este fantástico evento para fazer mais quilómetros com as clássicas lá de casa”.

No entanto, no Regulamento do Portugal de Lés-a-Lés Classic, há uma exceção no que toca ao ano de fabrico da moto. Que deve ser igual ou anterior a 1996, a menos que a soma das idades da moto e do condutor seja superior à centena. Pois bem, João Ferreira trouxe desde as Caldas da Rainha uma Harley-Davidson 883 cujo livrete diz que foi matriculada na viragem do milénio. Ou seja, com escassos 26 anos de estrada a que este entusiasta viajante juntou os seus 80 para ultrapassar a centenária marca exigida pelo parágrafo 3.1 das normas do evento.
Tão fiel quanto a esposa (que partilha a paixão!)
Apesar de até ter outras mais antigas em casa, esta Harley é muito especial e “apesar de algo pesada (mais de 250 kg), é uma companhia muito fiel. Com ela, a moto, e com a esposa, atravessou “mais de uma dúzia de países, de Portugal à Polónia, com passagem, entre outros pela Hungria, Eslováquia, Eslovénia ou Itália, fazendo 8283 quilómetros ao longo de três semanas bem animadas, na companhia da filha e do genro. Era com eles que gostava de ir até ao Cabo Norte, mas o genro não consegue ter um mês seguido de férias” vai dizendo enquanto o sempre bem-disposto sorriso parece desaparecer momentaneamente do rosto. Para logo regressar, ao olhar para o filho Nélson, que, depois de “ter gostado tanto de estar na primeira edição”, desafiou o pai para este Lés-a-Lés Classic.

“A maior dificuldade são as passagens pelos pisos empedrados no interior de algumas aldeias e sobretudo as paragens” conta o filho, para logo acrescentar que “depois de estar na estrada, não tem qualquer problema com os quilómetros ou a chuva. Afinal, toda a vida andou de moto e vai continuar a fazê-lo”. Vá lá que, ao longo desta terceira etapa, não foram muitas as passagens em paralelos irregulares e escorregadios, mas abundaram estradas municipais cheias de curvas por entre eucaliptais, sobretudo no concelho de Águeda, algumas com piso menos bom, com buracos a alternarem com a terra e folhas que a chuva vai trazendo para esconder o asfalto.

Bem mais interessante foi a passagem pela bela e divertida N16, onde todos desfrutaram da condução apesar da preocupação em tentar escapar por entre os pingos da chuva, olhando sempre com alguma apreensão para as nuvens mais escuras que iam assomando no horizonte. Que o digam António Pego e Fernando da Costa, dois figueirenses rendidos ao charme da Vespa. A trabalhar no Luxemburgo, “houve que aproveitar 15 dias de férias para meter as motos numa carrinha e vir até Portugal dar umas voltas”, contava o mais falador António, nada incomodado pelo facto de ter chegado à Anadia com a Vespa PX200 no reboque da organização.
Afinal, “um problema num retentor do motor a poucos quilómetros do final, já depois da passagem pela Ria de Aveiro e pelas tradicionais casas coloridas da Costa Nova, não podia estragar a festa”, nem fazer perder a visita ao Museu 2 Rodas, instalado no Centro de Alto Rendimento em Sangalhos. “Espaço bonito e que mostra, de forma fácil de seguir, boa parte da história das motos em Portugal” e onde prometem trazer os amigos ‘luxemburgueses’. Que é como quem diz, portugueses, franceses e italianos a viver naquele grão-ducado.

E enquanto acabavam de saborear um muito bem conseguido chili e uma sopa de agrião, os elementos do Vespa Club Roude Léiw Lëtzbuerg preparavam-se para descer os degraus até ao Museu do Vinho Bairrada, prontos a descobrir os segredos do que acabavam de beber. Pelo meio iam garantindo que sim, que vão voltar em 2027, com mais amigos adeptos das Vespa clássicas e a certeza de que o Portugal de Lés-a-Lés Classic “é dos eventos do género mais bem organizados da Europa”. Ahhh… E o Lobo e a menina dos olhos verdes também chegaram, sem problemas, à Anadia e juraram que “para o ano há mais!”
O Gabinete de Imprensa Portugal de Lés-a-Lés
















