Lusos em alta no Rally Raid Portugal

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Bruno Santos

O Rally Raid Portugal terminou com nova vitória de Daniel Sanders e da KTM. Bruno Santos voltou a ser o melhor português, terminando em 5º lugar da geral e vencendo a classe Rally2, enquanto Gonçalo Amaral triunfou em Rally3.

A segunda prova do Campeonato do Mundo de Rally Raid e única na Europa, o ‘bp Ultimate Rally Raid Portugal, terminou ontem em Loulé com o piloto australiano da KTM, Daniel Sanders, a repetir o triunfo do ano passado, batendo Tosha Schareina (Honda), vencedor em 2024, por 1m56s. O lugar mais baixo do pódio foi para outro piloto Honda, Adrien Van Beveren, enquanto Edgar Canet (KTM) terminava em 4º lugar com apenas 2 segundos de vantagem sobre Bruno Santos (Husqvarna), depois de o piloto português, mais rápido no terreno, ter sofrido uma penalização de dois minutos por excesso de velocidade numa zona limitada, tal como acontecera no primeiro dia.

Bruno Santos esteve sempre em grande nível ao longo da prova, não obstante uma violenta queda na penúltima etapa, sendo o melhor português em prova pelo terceiro ano consecutivo, desta feita somando ao top 5 na geral o triunfo final na classe Rally2. Esta categoria foi dominada pelos pilotos lusos, com Martim Ventura a terminar em 6º da geral e 2º da classe Rally2, enquanto o Campeão Nacional de TT em título, Micael Simão (KTM) se estreava numa prova do mundial com uma excelente exibição, que o levou ao 4º lugar de Rally2 e 11º posto da classificação geral.

Martim Ventura

Também na classe Rally 3 os portugueses dominaram, com os irmãos Gonçalo e Salvador Amaral (Honda) a comandarem as operações desde o primeiro momento. Gonçalo Amaral viria a repetir o triunfo de 2024 em Rally3, fechando o top 20 da geral, mas a ‘dobradinha’ para a equipa da Wingmotor foi negada por problemas técnicos na moto de Salvador Amaral, forçado a abandonar mesmo na super especial de 2 km que encerrava a prova.
Notas ainda para a boa prestação de Tiago Santos, que levou a Kove ao 25º posto da geral e 15º em Rally2, enquanto Pedro Bianchi Prata, inserido na classe Experimental e sem estar integrado na classificação, voltou a levar uma moto elétrica (STRiX) até ao final da prova.

No final da derradeira etapa, Bruno Santos declarou-se “muito contente com aquilo que acabei por conseguir e passar por cima do que aconteceu ontem, que foi o dia mais negro de todo este rali”, referindo-se à queda na 4ª etapa. “Estou muito satisfeito com a vitória em Rally2, mas acabei por não conseguir aquilo que chegou a ser a minha expetativa a meio deste rali, que era estar um bocadinho mais na frente da geral desta prova, mas não posso esquecer que estes pilotos são fantásticos, são do mais alto nível que existe e seria exagerado pensar que isso seria uma tarefa fácil. Cheguei a ver essa proximidade, no primeiro dia cometi um erro e tive dois minutos de penalização por um excesso de velocidade e agora foi esta queda que me atirou um bocadinho mais para baixo, mas estou contente com o resultado final”. Na altura destas declarações, o piloto ainda desconhecia a nova penalização de dois minutos que o faria descer do 4º para o 5º posto por escassos 2 segundos.

Quanto a Martim Ventura, o piloto da Honda HRC dizia-se “muito satisfeito por ter terminado bem. Foi durinho devido a uma lesão que me incomodou desde o início da corrida, mas estou contente por ter obtido uma boa pontuação para o Campeonato do Mundo, que foi o mais importante. Segue-se agora a Argentina uma corrida que nunca fiz, mas que tenho muito interesse em descobrir”.

Micael Simão

Para Micael Simão, piloto do Algarve, esta etapa final em casa “foi gira. Entrei muito bem, com um ritmo forte, mas com o passar dos quilómetros acusei um bocado o cansaço e as mazelas no pé. Mas não é justo estar triste comigo próprio porque venci a Rally2 e fiz quarto à geral nesta última etapa, e fiquei a poucos segundos de fazer pódio do dia no meu primeiro Rally. Por isso estou muito orgulhoso do nosso trabalho e este projeto é para continuar”.

Gonçalo Amaral

Finalmente, Gonçalo Amaral vencia a Rally3 mas acusava um resultado agridoce após o abandono do seu irmão mesmo no final. “Estou muito contente por ter ganho e ter conseguido este triunfo para a Wingmotor Honda, mas estou profundamente triste pelo que aconteceu ao meu irmão. Ele teve vários contratempos ao longo da prova e conseguiu superá-los e não merecia que isto acontecesse quando estávamos preparados para festejar em conjunto este nosso resultado de equipa. É demasiado duro”.

Após o Dakar e o Rally Raid Portugal, o Campeonato do Mundo de Rally Raid ruma à América do Sul, para o Desafio Ruta 40, na Argentina, de 24 a 29 de maio.

Pedro Bianchi Prata
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