FIM CEV 2019: Abertura em grande no Estoril

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O FIM CEV trouxe ao Circuito do Estoril alguns dos grandes valores do futuro do motociclismo a nível mundial. Aquele que é considerado como o campeonato que serve de ante-câmara ao MotoGP começou mais uma temporada e o traçado luso proporcionou as condições para corridas muito animadas, com discussões apertadas até à bandeirada de xadrêz.

Quinto na grelha de partida, Barry Baltus enfrentou a poderosa armada espanhola que corre no Mundial Junior Moto 3 e bateu a concorrência. Com o piso molhado, o piloto belga que corre com as cores do Sama Angel Nieto não se fez rogado e assumiu o primeiro posto logo na segunda volta. A partir daí, e mesmo perante a forte pressão dos adversários, nunca mais deixou a liderança.

Nos derradeiros lugares do pódio ficaram dois espanhóis. Xavier Artigas foi quem mais réplica deu a Barry Baltus, mas no final ficou a quase dois segundos de diferença. A celebrar como se tivesse vencido a corrida terminou José Julian Garcia. ‘Foi um excelente início depois de a época do ano passado ter sido tão má.’ exultou o jovem de Valência.

‘Foi um fim-de-semana muito bom. Estou muito contente com o resultado alcançado e com a corrida que fizemos.’ afirmou Barry Baltus na conferência de imprensa que se realizou após a cerimónia de pódio.

Finlandês e italiano impõem-se em Moto 2

Niki Tuuli foi o mais frio e calculista dos pilotos que andaram nos lugares da frente na primeira corrida desta categoria. O finlandês saiu de segundo e começou por seguir Edgar Pons, o autor da época e campeão nesta categoria em 2015. Posteriormente, secundou Yari Montella. Foi atrás do italiano que fez quase toda a primeira corrida. Mas quando o piloto do Team Ciatti ficou pelo caminho – depois de cair primeira na Curva Vip e pouco depois na Curva 7 – o finlandês da Stylobike passou para a frente e venceu a contenda que marcou o início do campeonato em 2019. Pons ficou em segundo, enquanto Ramdan Rosli fechou o pódio.

Na segunda corrida o vencedor empreendeu uma recuperação impressionante. Saiu do oitavo lugar e acabou em primeiro. O responsável pelo feito foi Alessandro Zaccone. Logo na primeira volta conseguiu ultrapassar três adversários. Passou de oitavo para quinto. A partir daí continuou a olhar para a frente. Saltou para segundo. Entretanto, desceu para terceiro mas não desistiu. Continuou a tentar até chegar ao comando. Depois começou a gerir e deixou o vencedor da primeira corrida, Niki Tuuli, em segundo. Edgar Pons voltou ao pódio. Depois de ter sido segundo, desta vez concluiu em terceiro aproveitando o mau ritmo final de Hector Garzó que esteve na luta com Zaccone mas um erro na travagem para a Parabólica Interior levou-o a perder ritmo, tal como aconteceu a Niki Tuuli que mesmo depois de andar na gravilha na mesma curva ainda chegou ao posto intermédio de pódio.

Niki Tuuli foi o piloto que mais pontos somou na ronda do FIM CEV no Estoril, mas não estava conformado. ‘Temos de melhorar, especialmente quando o piso está seco.’ disse o finlandês enquanto Zaccone estava especialmente satisfeito ‘pelo ritmo e pela vitória depois de umas épocas complicadas.’ ele que um passado recente passou igualmente pelo Europeu Supersport aos comandos de uma MV Agusta oficial.

Kiko Maria supera dificuldades na ETC

A primeira corrida do ETC foi imprópria para cardíacos. Kiko Maria saiu do 27º posto. Logo a seguir à partida, caiu na tabela e, no final da primeira volta, era 30º. Depois disso, melhorou e subiu, de forma consistente, na classificação para fechar no 19º posto. Esta ascensão aconteceu não obstante ter corrido quase sempre com a viseira do capacete embaciada.

A luta pela vitória durou até à linha de meta. José Antonio Rueda, autor da ‘pole’ foi forçado a arrancar na derradeira posição da grelha depois de ter visto o motor da sua moto ‘calar-se’ no momento do arranque para a volta de aquecimento. Após se ter apagado o semáforo vermelho cedo Ivan Ortolá assumiu o comando. Mas se a vitória parecia fácil, Fenton Seabright contrariou a tendência. Apanhou o rival e os dois protagonizaram uma intensa discussão pelo triunfo. Fizeram-no até à linha de meta e acabaram mesmo por se tocar na recta. Ortolá saiu imune e venceu, enquanto Seabright segurou o segundo posto, no chão, deslizando por muitos metros no asfalto molhado que levou o britânico até quase ao final da linha de boxes, felizmente sem que nenhum adversário lhe tocasse alertados pela rápida reacção dos comissários que no muro das boxes mostraram uma série de bandeiras amarelas.

No derradeiro confronto, com o piso do Circuito do Estoril a secar, mais uma prova não susceptível a pessoas sensíveis. Kiko Maria sentiu mais dificuldades. Rodou algum tempo a lutar pela 30ª posição mas, com o decorrer da corrida, cresceu e fechou no 24º posto.

Já entre os primeiros, a corrida foi de loucos. Ivan Ortolá mostrou quem mandou no Estoril e voltou a vencer. Mas, desta fez, foi por uma ‘unha negra’. Os seus compatriotas, Marcos Ruda e David Alonso, também estiveram muito fortes e concluíram esta prova no segundo e terceiro lugares, respectivamente. Destaque para os três mais rápidos terem terminado separados por uma décima de segundo.

‘Foram duas provas bastante difíceis. Tivemos problemas em ambas. Na primeira foi com o capacete. Saí bem, mas devido ao capacete estar embaciado fiz a corrida quase às cegas. Não via nada. Na segunda, começámos bem. Fizemos uma boa partida mas embrulhámo-nos na curva um e perdi bastantes lugares. Tive de recuperar. A pista secou tão rápido que as nossas afinações já eram bastante macias. Fiquei no limite das afinações da moto. Não conseguia fazer mais. Mas faço um bom balanço. Andámos em grupo e aprendi muito. Fizemos uma corrida sólida. Melhorámos bastante. Fizemos tempos próximos dos da frente. Consegui andar no limite. Estou contente por ter ficado em 24º e sido o melhor da equipa.’ afirmou o jovem português.

O programa competitivo completou-se com a corrida reservada aos pilotos da European Talent Cup que não conseguiram qualificar-se para a prova principal. 17 concorrentes estiveram em acção, com destaque para Roberto Tinoco Garcia. Na qualificação foi o mais rápido. Mas, no final, a moto estava abaixo do peso regulamentar e o espanhol foi penalizado e teve que alinhar nesta corrida. Saiu do décimo posto mas depressa chegou ao primeiro lugar. Aí se manteve até ver a bandeira de xadrêz. Jack Hart, que saiu da pole, ficou em segundo, enquanto Mattia Falzone completou o pódio ao ser terceiro.