Portugal de Lés-a-Lés Off-Road: Emoções para todos os gostos

A primeira etapa do Lés-a-Lés Off-Road levou a caravana até à Pampilhosa da Serra.

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Na primeira etapa da longa ligação que é o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, tempo para experimentar algumas das sensações prometidas pela Federação de Motociclismo de Portugal no mais aventureiro dos eventos mototurísticos em território nacional. Tempo para sentir as frias madrugadas outonais em terras transmontanas, da saída de Vila Pouca de Aguiar até às belíssimas paisagens escarpadas do rio Corgo, aproveitando a antiga linha de CP, agora desativada; ocasião também para transpirar nas difíceis subidas logo após a passagem do Douro, na Régua, cuja exigência impediu apreciar os vinhedos durienses, ou na Serra das Meadas, em Lamego; bem como para sentir a dureza acrescida pelo acelerada transformação do solo, com muita pedra solta que revela, ao longo de dezenas de quilómetros, as chagas causada pelos incêndios e pela plantação massiva de eucaliptais na zona centro.

Pelo caminho os mais de 350 participantes tiveram outras ‘surpresas’, do pequeno ribeiro, com fio de água que é reflexo fiel do período de chuva escassa mas com pedra escorregadia a exigir atenção redobrada, sobretudo para os condutores das motos maiores, até aos oásis criados pela FMP, em Moura Morta, e pela Jomoto, no Caramulo. Locais onde era possível matar a sede, comer fruta ou bem recheadas sandes, além de contar as primeiras peripécias da aventura que vai levar a grande caravana internacional até Faro. Ocasião ainda para relaxar um pouco e apreciar paisagens deslumbrantes, com passagem literalmente acima das nuvens nos longos estradões nos parques eólicos. Pistas onde José Gama pode apreciar a eficácia da Kawasaki ZX130 R, a scooter que é a mais pequena moto da 5ª edição da longa travessia, em pelotão onde se misturam as grandes maxi-trails e as leves e ágeis enduristas: «um verdadeiro trator, com tracção em todos os locais graças à embraiagem semiautomática e ao baixo peso, e que está aqui para demonstrar que esta é uma grande aventura para motos de todo o tamanho».

Aventura para todo o tipo de motos e de condutores, homens como mulheres. E que as algarvias Marta Sancho e Clara Andrade fazem questão de cumprir, «a um ritmo que permite apreciar as paisagens e ter grande diversão na condução em todo-o-terreno», como aconteceu nos belíssimos troços de Arganil e Góis. Mais à vontade nos técnicos troços das serras de Monchique e do Caldeirão, prometem «aproveitar cada quilómetro da aventura em prol de grande diversão e companheirismo», sobretudo na segunda etapa, entre Pampilhosa da Serra e Coruche, onde surgirão trajetos mais rápidos e menos massacrantes para as mecânicas como para o físico. Mas, para tratar destas maleitas, lá estão, no final de cada etapa, os mecânicos da Motoval e as terapeutas do Instituto de Medicina Tradicional, capazes de minorar as dores dos motociclistas, com massagens e outras técnicas de relaxamento e ‘reparação’ muscular.

Tanto mais que a viagem até terras algarvias ainda é longa, sendo sempre acompanhada pela 3ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, empenho da FMP e de todos os motociclistas na chamada de atenção para a importância da plantação de árvores autóctones. Depois do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, logo no dia das Verificações Técnicas e Documentais, foi a vez da Escola Básica D. Eurico Dias Nogueira, em Dornelas do Zêzere, e a Escola Básica Escalada (Escola Sede), ambas na Pampilhosa da Serra, onde foram plantados dois sobreiros (Quercus suber). Primeiro passo antes do anunciado regresso em finais do mês de novembro, quando, aproveitando as condições climatéricas mais adequadas para plantar árvores autóctones, serão oferecidos exemplares de espécies locais a todos os alunos, professores e funcionários das escolas para cada um plantar nos seus quintais e jardins.